A Escola Bíblica está mais vazia? O que os números de 2026 mostram
Uma pesquisa de 2026 com 210 pessoas, 90% da Assembleia de Deus, mostra que quase metade percebe queda na frequência da Escola Bíblica Dominical. Veja o que os números dizem, o que ainda não sabemos e por que isso importa.
Por Equipe ITADMIBS · · 3 min de leitura
A Escola Bíblica Dominical está mais vazia? A pergunta voltou a circular entre líderes das Assembleias de Deus em 2026, e pela primeira vez em muito tempo apareceram alguns números para conversar sobre ela. Eles não fecham a questão, mas ajudam a enxergar o tamanho do problema.
O que diz a pesquisa de 2026
Entre 15 de agosto e 15 de setembro de 2026, o eScriptura, um sistema de gestão para EBD, aplicou um questionário online sobre como anda a Escola Bíblica no Brasil. Responderam 210 pessoas de 25 estados, e 90% delas são da Assembleia de Deus.
Perguntados sobre a participação na EBD da própria igreja, comparada com anos anteriores, os participantes responderam assim:
- 47,1% percebem queda;
- 29,5% percebem crescimento;
- 21,4% acham que está estável;
- 1,9% não souberam dizer.
A falta de interesse foi o motivo mais apontado para a ausência dos alunos, seguida do desinteresse dos jovens, do cansaço e da qualidade das aulas.
Quem está mais perto da administração da escola é quem mais sente a queda: entre os pastores que responderam, 66,7% falam em diminuição; entre os alunos, 42,9%. Os grupos são pequenos (só 9 pastores responderam), então vale como sinal, não como regra.
Há um dado que equilibra o quadro: na mesma pesquisa, 71,9% deram nota de 8 a 10 para a EBD da sua igreja. Quem continua indo, em geral, gosta do que encontra.
Revistas que não fecham a conta
O outro número que esquentou o debate veio das revistas. Uma reportagem citou tiragem trimestral de mais de 2,2 milhões de exemplares das revistas da CPAD, e o pastor Raul Cavalcante, de Imperatriz, falou em cerca de 3,7 milhões. Diante das estimativas de cerca de 20 milhões de assembleianos no país, a conta dá menos de uma revista para cada cinco membros. A frase dele resumiu o incômodo: "A Assembleia de Deus não está indo para a Escola Bíblica."
A comparação tem limites, e quem a fez reconhece: uma revista pode servir a mais de uma pessoa, há alunos que estudam por material digital, parte das Assembleias usa revistas de outras editoras (como a Betel, na AD Madureira), e a CPAD também vende para outras denominações. Tiragem não é lista de presença.
O pastor Ediberto Silva, comentarista das Lições Bíblicas da CPAD, chamou atenção para outro lado: em muitos lugares a EBD foi sendo trocada por outras programações, ou cancelada por qualquer imprevisto, até deixar de existir.
O que ainda não sabemos
O dado que falta é o mais simples: quantas pessoas estão, de fato, sentadas nas classes num domingo comum. Nem a CPAD nem a CGADB publicam essa contagem, e o próprio eScriptura avisa que sua amostra é voluntária e não representa todas as Escolas Bíblicas do Brasil. O que existe hoje é a percepção de quem está dentro, e essa percepção, em quase metade dos casos, é de queda.
Quem quiser ter certeza sobre a própria igreja tem um caminho ao alcance: a caderneta de chamada. Comparar a média de presença deste trimestre com a do mesmo trimestre de anos anteriores diz mais sobre a sua EBD do que qualquer pesquisa nacional.
Por que isso importa
A Escola Dominical é, para a maior parte dos assembleianos, o único lugar de estudo bíblico em sequência, com começo, meio e fim. Quando ela esvazia, a igreja continua cantando e pregando, mas perde o espaço onde a doutrina é ensinada com calma, pergunta por pergunta.
Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.
2 Timóteo 2.15
Recuperar a EBD passa por professores mais preparados, aulas que conversem com a vida do aluno e pastores que tratem o domingo de manhã como prioridade. Não é por acaso que a formação de professores aparece, nas pesquisas, entre os maiores desafios da Escola Bíblica.
Fontes: pesquisa "Como anda a Escola Bíblica no Brasil em 2026", do eScriptura (setembro de 2026); Tribuna Popular, "22 milhões de assembleianos e menos de 4 milhões de revistas" (agosto de 2026); JM Notícia e EBD Interativa.
Foto de capa: Andrik Langfield / Unsplash.