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Evangelização no mundo: o que os estudos da última década mostram

Pesquisas do Pew, do Gordon-Conwell e do IBGE mostram o evangelho crescendo no Sul Global e no Brasil, mas 2,3 bilhões ainda sem acesso e poucos pastores com formação teológica.

Por Equipe ITADMIBS · · 6 min de leitura

Pessoas sentadas lado a lado, com uma Bíblia aberta no colo e as mãos unidas em oração

Três grandes levantamentos publicados entre 2025 e 2026 ajudam a responder uma pergunta que toda igreja faz: como anda o anúncio do evangelho no mundo? Os números trazem motivos de gratidão e também alertas. E um deles toca diretamente a formação de quem prega e ensina.

O cristianismo cresce, e mudou de endereço

O Pew Research Center, um dos institutos de pesquisa mais respeitados do mundo, comparou mais de 2.700 censos e pesquisas e publicou em junho de 2025 um retrato da década de 2010 a 2020. No período, o número de cristãos cresceu 122 milhões e chegou a cerca de 2,3 bilhões de pessoas. O cristianismo continua sendo a maior fé do planeta.

O mesmo estudo mostra uma mudança de endereço. Em 2020, a África subsaariana passou a ser a região com mais cristãos no mundo: 31% de todos os cristãos vivem lá, contra 22% na Europa. No começo do século 20, a África subsaariana tinha só 1% dos cristãos do mundo, e dois terços estavam na Europa.

O Centro de Estudos do Cristianismo Global, do seminário Gordon-Conwell, nos Estados Unidos, chega à mesma conclusão com outro método. A tabela que o centro publica todo ano, na edição de janeiro de 2026, estima:

  • cerca de 2,67 bilhões de cristãos no mundo, 32% da população;
  • 69% deles no chamado Sul Global (África, Ásia, América Latina e Oceania). Em 1900 eram 17,6%;
  • 780 milhões de cristãos na África, com o número crescendo 2,6% ao ano. Na Europa, o número cai 0,4% ao ano;
  • pentecostais e carismáticos somando cerca de 676 milhões de pessoas. No ano 2000 eram 443 milhões.

Os dois institutos contam de jeitos diferentes, e por isso os totais não batem: o Pew conta quem se declara cristão nos censos, e o Gordon-Conwell trabalha com outra base de dados. Mas a direção é a mesma nos dois. O evangelho avança com força na África, na Ásia e na América Latina, e perde espaço na Europa e na América do Norte.

E no Brasil?

O Censo 2022 do IBGE, com os dados de religião divulgados em junho de 2025, mostra a mesma tendência dentro de casa. Os evangélicos passaram de 21,6% da população, em 2010, para 26,9% em 2022: cerca de 47,4 milhões de pessoas. Um em cada quatro brasileiros se declara evangélico.

Os desafios que os números mostram

O crescimento não conta a história inteira. Os mesmos estudos apontam três alertas.

A população cresce mais rápido. Segundo o Pew, os cristãos cresceram 6% na década, enquanto o resto da população mundial cresceu 15%. Por isso, a fatia cristã do mundo caiu de 31% para 29%. O estudo também mostra que, entre adultos de 18 a 54 anos criados em lares cristãos, para cada 100 houve uma perda líquida de quase 12 pessoas que deixaram a fé. É a geração que cresceu na igreja e saiu dela.

Bilhões ainda não ouviram. O Gordon-Conwell estima que 2,3 bilhões de pessoas, 27,7% da humanidade, vivem sem acesso real ao evangelho. E só 18,9% dos não cristãos do mundo conhecem pessoalmente algum cristão. Em outras palavras, quatro em cada cinco pessoas que não seguem a Cristo não têm um amigo, vizinho ou colega crente.

A perseguição continua. A mesma tabela estima cerca de 900 mil cristãos mortos por causa da fé a cada dez anos.

Uma boa notícia: a Bíblia chegando a quase todas as línguas

Se há uma área em que a última década foi de avanço acelerado, é a tradução da Bíblia. A Aliança Global Wycliffe informou, com dados de agosto de 2025, que só 544 línguas ainda esperam o começo de uma tradução. Um ano antes eram 985; em 2020, mais de 2.000; em 1999, mais de 5.000. Hoje, mais de 99% da população mundial já tem acesso a pelo menos uma parte das Escrituras na própria língua.

A Palavra está chegando. A pergunta é: quem vai ensiná-la?

A falta que faz quem ensina

Aqui aparece o dado que mais pesa para uma escola de teologia. Um estudo publicado pelo Movimento de Lausanne, a maior rede evangélica de missões do mundo, estima que só cerca de 5% dos pastores e padres no mundo têm formação teológica formal, e que bem mais de 90% receberam apenas algum preparo informal. O número vem de pesquisas do próprio centro do Gordon-Conwell e é uma estimativa: é difícil medir isso com precisão em todo o mundo, e muitos pastores sem diploma estudaram de outras formas. Mas o quadro é claro. A igreja cresce mais rápido do que forma quem a ensina.

O Gordon-Conwell conta hoje cerca de 4,7 milhões de congregações cristãs no mundo e projeta 6,1 milhões até 2075. Cada uma delas vai precisar de alguém que pregue com fidelidade, ensine na Escola Dominical, aconselhe as famílias e responda às perguntas difíceis do seu tempo.

Por que a teologia importa para a evangelização

Às vezes se pensa que estudar teologia é coisa de quem quer sair da igreja para a academia. A Bíblia mostra o contrário: o estudo serve à missão.

Paulo orienta Timóteo a passar adiante o que aprendeu: "o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros" (2 Tm 2.2). São quatro gerações de ensino numa só frase. É assim que o evangelho atravessa o tempo.

Em Atos 18 aparece um pregador cheio de entusiasmo e eloquente nas Escrituras, chamado Apolo, que ainda conhecia o evangelho de forma incompleta. Priscila e Áquila o levaram para casa e lhe explicaram com mais precisão o caminho de Deus. O resultado foi um pregador que passou a ajudar muito os irmãos e a convencer publicamente os opositores pelas Escrituras (At 18.24-28). Zelo sem preparo pode se perder; zelo com preparo se multiplica.

E Paulo diz que Cristo deu à igreja pastores e mestres "querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério" (Ef 4.12). O ensino não substitui a evangelização: ele prepara a igreja inteira para evangelizar.

Os números da última década mostram campos abertos, a Bíblia traduzida em quase todas as línguas e igrejas nascendo sem parar. Falta gente preparada para cuidar dessa colheita. Formar obreiros, professores de Escola Dominical e líderes que conheçam bem a Palavra é parte da obra missionária, e não um assunto à parte.

Fontes

Foto de capa: Jor Eg, no Unsplash.

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